downloadBrasília, 08 de maio – A vitória apertada do governo na votação da Medida Provisória 665 — que altera as regras do seguro-desemprego e do abono salarial — ditará o ritmo das nomeações do segundo escalão do governo federal. Quem votou a favor nos últimos dias terá as indicações aceleradas. Aqueles que ficaram contra, mas “têm um bom histórico de fidelidade”, segundo apurou o Correio, serão colocados na geladeira por um tempo, podendo ter os pleitos atendidos em um momento posterior. Já quem votou contra a MP e que tem, reiteradamente, se queixado do tratamento recebido será ignorado solenemente pelo Planalto.

O PMDB, que comanda a articulação política e tem tido suas demandas prestigiadas pelo governo, segue dando caneladas nos petistas. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), afirmou que o PT só cumpriu com 80% do acordado na votação da primeira medida provisória do ajuste fiscal, já que apenas 54 dos 64 deputados seguiram a orientação para votar com o governo. “Uma parte dos petistas fugiu do plenário para não votar e ficar mal com seus eleitores. Os nove que fugiram para não contrariar seus eleitores deveriam assumir publicamente as suas posições. O PMDB queria que o PT assumisse a defesa do ajuste. Eles assumiram, mas não entregaram todos os votos”, provocou Cunha.

Os peemedebistas já emplacaram a presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a do Banco do Nordeste. Espera ainda a confirmação de Djalma Berger, ex-prefeito de São José (SC) e irmão do senador Dário Berger (PMDB-SC), para a presidência da Eletrosul e de Rebeca Garcia — do PP, mas apadrinhada pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga — para a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Prestigiado, o vice-presidente Michel Temer foi pessoalmente elogiado pela presidente Dilma Rousseff, que classificou o trabalho dele com as bancadas aliadas, e até mesmo com os partidos de oposição, como fundamental para a vitória da MP. Na quarta-feira, horas antes da votação do texto-base, Temer almoçou com um grupo de deputados do DEM, acompanhado do prefeito de Salvador, ACM Neto, e conseguiu que eles votassem a favor do ajuste. “O Aleluia (deputado José Carlos Aleluia, um dos demistas convencidos) é muito firme ideologicamente sobre a necessidade do ajuste. Respeito, embora ache que esta proposta prejudique apenas os trabalhadores”, lamentou o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE).