20141020084500359329u Brasília, 21 de outubro – O próximo presidente não poderá se escorar nas reservas internacionais e ficar assistindo às contas externas deteriorarem. O rombo no fluxo de dinheiro com o exterior será uma das heranças malditas deixadas pelo atual governo. Caso a situação não seja revertida, o país se tornará ainda mais vulnerável a crises financeiras sobre as quais não tem controle. A projeção do Banco Central (BC) para o deficit nas transações correntes deste ano é de US$ 80 bilhões — o terceiro maior em termos absolutos, menor apenas que o dos Estados Unidos e do Reino Unido. Quer dizer que as despesas andam superando e muito as receitas nas operações da balança comercial, sobretudo, e de outras transações com o exterior.

Os investimentos estrangeiros diretos conseguiram balancear as contas externas por um bom tempo, mas deixaram de ser suficientes. Esse dinheiro que vem de fora atingirá em 2014 o patamar de US$ 63 bilhões, não sendo capaz de financiar mais do que 80% do saldo devedor das transações correntes. Mais fragilizado e exposto às condições externas, o Brasil passou a depender dos capitais especulativos, aqueles que despertam menos confiança, para fechar essa conta.