downloadBrasília, 06  de março – Em mais um dia de nervosismo entre investidores, o dólar teve o quarto dia consecutivo de alta e fechou acima dos R$ 3 ontem. A moeda norte-americana subiu 1,03% e, no fim dos negócios, foi cotada a R$ 3,012 para venda, o maior valor desde 16 de agosto de 2004. A crise política entre governo e Congresso, as dúvidas sobre o futuro do programa de ajuste fiscal, e a indefinição do Banco Central a respeito da manutenção do programa diário de venda de dólares no mercado futuro acabaram por antecipar em quase dois anos a desvalorização do real prevista pelo mercado financeiro. Os analistas só previam cotação acima dos R$ 3 no fim de 2016.

Neste ano, a divisa dos Estados Unidos já subiu 13,27% diante do real — 5,44% apenas nos últimos quatro dias. A elevação tem efeitos sobre toda a economia. O maior temor é o de que a inflação passe dos 9% este ano, se a escalada continuar. Cada 10% de valorização da moeda norte-americana tem impacto de 0,5 ponto percentual no Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA). Até janeiro, a alta acumulada pelo indicador em 12 meses alcançou 7,14%, bem acima do teto da meta definida pelo governo, de 6,5%.

Se o Brasil perder o grau de investimento conferido pelas agências de classificação de risco — o que pode ocorrer, caso o ajuste fiscal prometido pelo governo continue encontrando resistência na base aliada —, a moeda norte-americana, segundo analistas, pode bater nos R$ 4.