download (1)Brasília, 08 de maio – Quem tem planos de tomar dinheiro emprestado deve repensá-los. Para analistas do mercado financeiro, os juros ainda vão subir neste ano, segundo indica a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem. Na semana passada, o colegiado de diretores do Banco Central (BC) aumentou a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 13,25% ao ano. O próximo encontro será em 2 e 3 de junho.

“A única certeza a partir da leitura da ata é que a elevação que acaba de ocorrer não foi a última. Haverá nova alta, de 0,25 ou 0,5 ponto, com chances de 50% para cada possibilidade”, afirmou Carlos Thadeu de Freitas Filho, economista da Franklin Templeton. Qualquer que seja o aumento da Selic, porém, ele acha que será a última do ano. “O ciclo está perto do fim”.

De acordo com a ata, o Copom vê avanços na convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5%, mas aponta a persistência de fatores contrários, sobretudo no mercado de trabalho. Para os preços administrados, como gás, telefone e eletricidade, a projeção de alta neste ano cresceu para 11,8%, ante 10,7% na reunião de março. Só a energia elétrica subirá 38,3%. A intenção é conter os efeitos secundários desses aumentos ainda em 2015.

O documento afirma que “o cenário de convergência da inflação para 4,5% no fim de 2016 tem se fortalecido”, mas faz uma ressalva importante: “Os avanços alcançados no combate à inflação ainda não se mostraram suficientes. Nesse contexto, o Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante”.

Para o ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman, isso sugere uma elevação de 0,25 ponto em junho. “Se eles afirmassem que o Copom está ‘especialmente vigilante’, eu esperaria aumento de 0,5 ponto. Mas não é o caso”, explicou. Já o economista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, acha que cresceu a possibilidade de uma elevação de 0,5 ponto, que levaria a Selic para 13,75%.