imagesBrasília, 03 de agosto – O Produto Interno Bruto (PIB) potencial é uma medida usada pelos especialistas para determinar a real capacidade do país de crescer sem que a inflação fuja do centro da meta, de 4,5%, perseguida pelo Banco Central. Desde que Dilma Rousseff assumiu o governo, em janeiro de 2011, esse indicador só fez desabar. Era de 4,5% e hoje varia entre 1,5% e 2,5%, a depender da boa vontade dos analistas. Ainda que a conta leve em consideração a melhor das hipóteses, os 2,5%, o Brasil deixará de gerar riquezas de ordem de R$ 350 bilhões neste ano e em 2016, devido à contração do PIB nesse período. As estimativas são de retração econômica por dois exercícios seguidos.

Não é segredo para ninguém que o tombo da atividade se dará exclusivamente por causa dos problemas criados pela presidente: inflação, desemprego, juros altos e contas públicas desajustadas. Seria de esperar, portanto, que o país buscasse no exterior uma forma de compensar o desastre provocado pela gestão do governo nos últimos quatro anos. Mesmo longe do seu apogeu, a economia global dá sinais consistentes de recuperação. Pelas contas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o salto do PIB mundial deverá ser de 3,3% neste ano, puxado, sobretudo, pela locomotiva do planeta, os Estados Unidos, com avanço esperado de 2,5%. Infelizmente não vamos tirar um naco sequer desse potencial.

Exportações
“Em vez de ganhar, estamos perdendo mercados no mundo”, diz José Augusto de Castro, presidente interino da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). “As exportações estão caindo em vez de crescerem”, acrescenta. A participação do Brasil no volume de produtos e serviços negociados no mercado internacional retornou ao nível de uma década atrás. Nem mesmo a constante valorização do dólar, que tornou nossas mercadorias mais baratas — em 12 meses, a queda do real chega a 51% —, foi suficiente para reanimar as exportações do país.

Castro não esconde o desânimo. “Em 2015, o Brasil perderá uma fatia importante do comércio mundial. Vamos retroceder aos níveis de 2003 em termos de participação”, avisa. Ele estima que o país ficará com menos de 1% do total das exportações mundiais, que devem crescer 2% neste ano, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Há 12 anos, o Brasil respondia por 1% das vendas globais; em 2010, havia chegado a 1,3%.