notibrás/divulgaçãoBrasília, 05 de abril – O procurador-geral do Distrito Federal Rogério Leite Chaves pediu demissão. A decisão é irrevogável, segundo manifestação expressa em carta entregue ao governador Agnelo Queiroz. Ele goza férias a partir desta quinta-feira 5; e espera, ao voltar, já ter o nome do substituto definido.
Leite Chaves estava desgastado por negar provimento às demandas supostamente ilícitas que chegavam ao seu gabinete. Para não correr riscos futuros e zelando pela ética que sempre abraçou, preferiu trilhar o caminho da exoneração a empenhar-se em convencer seus pares a emitir pareceres favoráveis ao Palácio do Buriti.
O pedido de demissão foi confirmado pela assessoria da Procuradoria-Geral do Distrito Federal. Embora seja uma decisão unilateral e mesmo respeitadas questões de foro íntimo apresentadas como justificativas para a entrega do cargo, não é difícil associar a saída de Leite Chaves à chegada de Swedenberger Barbosa para a chefia da Casa Civil.
A Procuradoria, que reza a cartilha da legalidade, tem sido grande entrave às ações do governo Agnelo. Não foram poucas as vezes em que processos encaminhados pelo Palácio do Buriti ao gabinete de Leite Chaves foram indeferidos.
Para não deixar um vácuo na Procuradoria-Geral, o governador começou a buscar no mercado nomes à altura do demissionário. O primeiro a ser convidado foi Marcello de Alencar Araújo, que ocupou a função na administração do ex-governador Cristovam Buarque. Mas o ex-procurador, argumentando, a exemplo de Leite Chaves, questões de foro íntimo, declinou do convite.
Ao ser empossado no dia 3 de janeiro de 2011, Leite Chaves ouviu com um sorriso seguido de aplauso a garantia dada por Agnelo Queiroz de que se iniciava um novo marco, com um novo modelo de gestão. Tomaremos decisões rápidas de correção uma vez que não haverá espaço para má conduta de administradores públicos, anunciou o governador.
Em resposta, o empossado prometeu zelar pelo bem público de forma a buscar o cumprimento da estrita legalidade. Nossa missão é redirecionar o Distrito Federal para uma via segura, depois do turbulento momento pelo qual Brasília passou no último ano.
Exatos quinze meses depois, Rogério Leite Chaves descobriu que suas palavras caíram no vazio. E que a garantia de Agnelo Queiroz ainda era reflexo das promessas feitas na campanha eleitoral.  No fundo, ele descobriu que o novo caminho tem tantos buracos como às estradas trilhadas pelos velhos políticos da capital da República.
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